quinta-feira, 10 de setembro de 2009

"(...) É o relativismo que amolece as consciências boas e endurece as satânicas. (...) que nos torna mais animais e menos pessoas. (...) que faz germinar as trevas e a indiferença. (...) que corrompe a alma por troca com qualquer outra mordomia. (...) que nos afasta da transcência e da procura de nós mesmos.", Do lado de cá, ao deus-dará, de Bagão Félix.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

"O silêncio (...) tão detestado, porque aceite como inútil, onde o útil é soberanamente o que orienta.
O silêncio, que não dá prestigio e não suscita consideração porque o que conta é não estar calado, mesmo que através de interjeições vazias que são uma espécie de fronteira acústica entre o silêncio e o som das palavras pedidas no vazio das ideias.
(...) ficar em silêncio desqualifica, mesmo que nada se tenha para dizer. Num debate televisivo o que perde é o que fala menos, mesmo que, no intervalo do seu silêncio tenha sido o que disse mais. Nos discursos, o que conta não é o valor do conteúdo mas o tempo em que se agride o silêncio de não se ter terminado a horas. Na discussão, ganha quem não se cala e perde quem, às vezes sensatamente, escuta, no silêncio do seu ser, a consciência do respeito.
O silêncio não é apenas a ausência do som, como a sombra não se esgota na ausência da luz.
O silêncio existe para além da não-existência do seu oposto. (...) Não foi (...) o silêncio que veio perturbar a necessidade de ruído, mas o inverso. O silêncio é a verdade, o som a realidade da aparência. É o silêncio (...) que mede o nosso estado de espírito. Logo, não há apenas o silêncio, há silêncios.
O silêncio é consubstancial a toda a natureza e, por isso, a nós. Está presente em tudo e convive dentro de todos (...) Não é o silêncio uma forma de pureza (...) num mundo de tanta impureza? Não é o silêncio uma forma de solidão na sociedade que a ela foge em nome do seu contrário, o qual pode ser, afinal, a forma perversa de solidão na ilusão da companhia? (...)
O silêncio é uma forma de perfeição no mais intimo dos nossos espíritos.
(...)
O pôr-do-sol convida à serenidade do silêncio.
O olhar pode ser muito mais do que o silêncio de uma palavra não dita.
O silêncio da oração pode ser dito por palavras.
O silêncio de quem está só pode quebrar a solidão aparente do som que não está presente. O silêncio é a forma serena de adormecer e o modo suave de acordar.
O silêncio do reencontro é a forma perfeita do abraço.
O silêncio na morte do ente ou amigo diz tudo no respeito de nada dizer.
(...)
O silêncio incomoda porque interpela, perturba porque brota da alma, aborrece porque não rende, afasta porque se crê não comunicar, desafia porque pode ser uma forma de pedagogia.
(...)
Silêncio sempre diferente na igualdade da diferença de cada um, diferente dos outros (...)
(...)
O silêncio é, hoje, motivo de chacota e sintoma de crítica. Já lá vai o tempo em que o silêncio era de ouro. (..)
O silêncio não se explica, ouve-se. Convida-nos à profilaxia da introspecção, aproxima-nos de nós mesmos, (...). O silêncio é o eco da nossa existência e o som da nossa não-existência. (...) é a mais sublime forma de purificação e de reencontro com nós mesmos. (...) não acaba, porque não tem medida, nem tempo. Como tal, o silêncio é eterno e existe para além de nós, imensidão do universo e na compreensão de Deus. (...)", Do lado de cá, ao deus-dará, de Bagão Félix.

Silêncios: alegria, desgosto, amor, fé, concordância, discordância, liberdade, eloquência, serenidade, desespero, esperança, convicção, ignorância, verdade, fingimento, coragem, medo.
"O mais dificil de alcançar é o simples.
O mais possível de alcançar é o que mais impossível parece.", Do lado de cá, ao deus-dará, de Bagão Félix.
"Escutar Deus no silêncio da nossa intimidade absoluta, despida de tabus terrenos. Orar a Deus no ruído do nosso quotidiano sem espaço. Questionar Deus no silêncio ensurdecedor da nossa fraqueza. Ver Deus no ruído silencioso dos que sofrem por amor a Ele", Do lado de cá, ao deus-dará, de Bagão Félix.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

"Porque a qualquer dia e a qualquer hora, é provável que algo de improvável possa acontecer."

Aristósteles.

terça-feira, 24 de março de 2009

Decisões...

bem, por vezes, pensamos que as decisões que se tomam não significam que sejam nem as melhores nem definitivas, até que se chega ao limite e se decide que a situação em questão não e a melhor e que isso não pode continuar como está! Se olharmos de uma perspectiva impessoal e até fria, veremos que muitas das nossas reacções não têm lógica, em que nós só nos rebaixamos perante os outros e isso de forma alguma deveria acontecer. Assim, todas aquelas decisões que dizemos tomar por amor, não são mais do que decisões que nos levam a sofrer ainda mais, decisões que não servem de nada! E quando um dia acordamos ou nos obrigam a acordar, pensamos que nada poderia ser pior, mas isso é mentira, porque se acordamos se significa que não era um sonho, mas sim um pesadelo, do qual éramos escravos!
Na realidade, quem merece o amor de outrem anda sempre por aí, mesmo que muito escondido... no entanto, posso afirmar que existe  para cada pessoa a dita Cara-metade, que não irá fazer sofrer, mas que por vezes nem nos damos conta que está mesmo ao nosso lado... Por isso, para quê perder tempo com o que não vale a pena? sim... porque mais tarde chegamos a essa conclusão ou chegamos à conclusão de que nunca tivemos a coragem suficiente para acabar com um ciclo vicioso, que nos destruia a cada milésimo de segundo que passava!
Tomar decisões não é fácil, e é sempre mais fácil tomar as decisões do que as concretizar, mas quando concretizadas, somos as pessoas, se não mais felizes, mais aliviadas do mundo!
Por isso, peço-vos nunca deixem que sejam os outros a tomar as vossas decisões, não receiem ficar sozinhos, porque mais tarde ou mais cedo, encontrarão o que andam à procura, seja daqui a um minuto, daqui a um ano, dez ou até mesmo daqui a cem anos... o que realmente importa é viver a vida tal como ela deve ser vivida!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

" (...) uma adulação repetida acabará inevitavelmente por tornar-se insatisfatória, e portanto ferirá como uma ofensa. (...)", A viagem do elefante, de José Saramago (pág. 18)